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Conheça a história dos 70 anos da Casa Eurico
 
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HISTÓRIA | Novos Tempos

A CASA EURICO COMPLETA 70 ANOS!

70 anos!!! Essa é a idade que a Casa Eurico completou no último dia 25 de maio. Com todo este tempo de dedicação em oferecer o melhor em calçados de tamanhos grandes, a Casa Eurico tinha que preparar uma comemoração à altura! Aguarde.

A sócia Nidia e a vanguarda : Guimarães, Beth e Wanderley Parte dos funcionários da Casa Eurico

Nova fachada da loja Moema

DEPOIMENTO DE NIDIA ROSENTHAL SZYLIT ( SÓCIA )

27 de Maio. Entro no meu escritório às 8h da manhã, como de costume. Mas, não como de costume, encontro um arranjo M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-O de rosas colombianas, vermelhas, na minha mesa. Os pensamentos são rápidos: "Hoje é dia 12 de março?", "Tenho um admirador secreto?", "Alguém quer me pedir desculpas?", "Meu marido pirou?".

Abro o cartão: "Parabéns à Casa Eurico pelos 70 anos".

Mas eu não sou a Casa Eurico! Eu sou a Nidia, apenas uma das sócias da empresa. E lá vêm mais pensamentos. Dessa vez, não de questionamentos, mas de emoções... Imagino os funcionários se organizando para me fazer esta surpresa, penso em como fazer para avisá-los que não só eu, mas todos nós somos responsáveis pelo nosso sucesso.

Penso então no esforço que é manter um nome, uma tradição, ter sempre muitas novidades, mercadoria arrojada, moderna, com um preço legal, sem abrir mão do conforto e oferecendo um excelente atendimento.

Penso no caminho que fizemos para chegar até aqui: inflação, planos econômicos malucos, e outros sufocos que conseguimos superar.

Penso então, com muita alegria, nos depoimentos dos nossos clientes, satisfeitos e felizes. E descubro que é isso o que sempre busquei, o meu objetivo principal: agradar aos clientes, ser reconhecido pelos funcionários e ser respeitado pelos nossos fornecedores.

Acho que já posso considerar minha missão cumprida nesta vida! Não, quero dizer, sou nova ainda. Acho que quero ficar por aqui mesmo, trabalhando muito e mostrando que podem confiar em mim, e iremos sempre continuar nossa busca pela excelência!

Parabéns a todos nós! Parabéns aos Funcionários, Fornecedores, e principalmente aos nossos queridos Clientes, motivo e razão da nossa existência!!


DEPOIMENTO DE VERÔNICA APELLE ( EX FUNCIONÁRIA DA CASA EURICO)

Estou no momento muito emocionada, pois acabei de assistir a entrevista da Casa Eurico na Record News (Mulheres em Foco).

Gostaria muito de deixar meu depoimento a essa empresa na qual trabalhei por 10 anos, que não se preocupa somente pelo bem estar de seus clientes, mas também por todos os que os rodeiam, principalmente seus funcionários.

Sempre entro no site e leio todos os depoimentos dos clientes, pois foram anos trabalhando e vendo a alegria de pessoas que tem dificuldades em obter números especiais.

A entrevistada da Nídia, uma pessoa em que sou suspeita de falar, pois com ela eu aprendi quase tudo o que sei .Digo quase, pois a cada dia aprendemos coisas novas.

Não poderia deixar de expressar meu sentimento, pois ela é uma pessoa que se tornou referência para mim.

A Casa Eurico não é apenas uma loja que visa o bem estar de seus clientes, mas uma casa onde você se sente uma pessoa especial.

O trabalho desenvolvido com os funcionários preza pela excelência no atendimeto, que posso dizer com muito orgulho que é o melhor que conheço.

Vivi momentos maravilhosos com meus amigos e colegas de trabalho, onde posso dizer que a satisfação de ver a felicidade dos clientes a cada email, a cada telefonema recebido não tem dinheiro que pague.

Gente, vocês não imaginam o que é ver pessoas na loja emocionadas, outras chorando como uma criança, como se estivessem num parque de diversão ao ver as vitrines, ao ser bem atendidas, tudo isso eu vi e tenho orgulho por ter feito parte desta empresa.

O carinho, o respeito e a amizade que tenho por clientes que se tornaram amigos, alguns que infelizmente eu não conheci, mas os amo de coração e que sinto muitas saudades.

São vários clientes, dentro e fora do país. Até do Japão recebi cartão postal de agradecimento no Ano Novo ! Eu gostaria de citar o nome de todos, mas tenho medo de esquecer alguns...

O motivo desse depoimento é somente para agradecer não só a Casa Eurico, mas a todos clientes pelo prazer e a felicidade de ter trabalhado numa empresa idônea, respeitada e da qual eu tenho muito orgulho.

Deixo aqui um enorme abraço ao Sr. Guimarães, que tenho na qualidade de um grande pai, Vanderlei (sub-gerente) e a Bete, que são para mim amigos inesquecíveis.

As minhas queridas amigas do telemarketing: Elaine, Daiane e Márcia : Meu Muito obrigada por tudo !

Aos melhores vendedores do mundo: Irene, João, Ivanildo, Ramon, Almir, Francisco, Josi, Rodrigo, Edson, Patrícia e Marcos (gerente da Oscar Freire).
Para a melhor secretária do Universo: minha amada Veronice, que é não só minha amiga pessoal, mas uma profissional de caráter ímpar.

À Gildete, Adriana, Gilvá, Cida e Rogério ...foi maravilhoso conhecer e conviver com vocês.

E finalmente a você Nídia que é não somente a proprietária dessa loja, mas uma pessoa de coração ímpar, amiga, corajosa, sincera, amável (até para dar uma bronca), e acima de tudo uma mulher que eu levo como referência em minha vida tanto pessoal como profissional: " Meu muito obrigada por tudo".

Que Deus ilumine e abençõe a vida de todos vocês, para que possam continuar esse trabalho único e maravilhoso.

Pois somente pessoas com competência, e que tem a excelência, podem trazer a alegria e felicidade aos pés especiais, não só do Brasil, mas de todo o mundo.

Um abraço à todos clientes e funcionários da Casa Eurico!


PRIMEIROS TEMPOS

Terminava o ano de 1936.
E com ele, a vida tranquila de uma família burguesa de um dos maiores centros culturais da Alemanha: Dusseldorf.
A guerra trouxe-a para o Brasil, mais exatamente para uma fazenda de café e algodão próxima a Marília, no interior de São Paulo.
Dona Leonie, contadora formada, assumiu funções compatíveis no escritório da fazenda e o senhor Erich recebeu o cargo de almoxarife.
Os filhos do casal, Gert, de 9 anos e Hans, de 7, frequentavam a escola da fazenda que se resumia a uma classe para todas as idades. E cuidavam da limpeza e arrumação da casa.
Em princípios de 1938, a família Rosenthal parte novamente. Desta vez para São Paulo, Capital.

A família Rosenthal e o amigo Steiner (centro)
Dona Leonie logo começou a trabalhar em um banco, enquanto o senhor Erich procurava um local para montar seu próprio negócio.
Um dia tomou um bonde na Praça da Sé. O bonde ia até Santo Amaro, mas o senhor Erich resolveu descer em Indianópolis.


A LOJA NO FIM DO MUNDO


Eram meados de 1938.

Herr Erich Rosenthal, que nesta época já era chamado de Senhor Eurico, tinha encontrado o lugar ideal para desenvolver seu negócio. Um bairro misto, afastado do centro, tal e qual era sua loja na Alemanha. Só que na verdade, a Avenida Jandira pouco ou nada tinha a ver com a Dusseldorfer Strasse.
Era uma rua de terra, que virava rio em dia de chuva, para alegria da meninada com seus barquinhos de papel. O comércio era mínimo: uma padaria na esquina, um barbeiro, um relojoeiro, uma loja de móveis, uma de uniformes escolares e alguns bazares.

Como disse um bem humorado pedestre, era preciso ter coragem para abrir uma loja naquele fim de mundo.
Mas o senhor Eurico acreditou.
O bairro era bom. Os funcionários das fábricas e indústrias da redondeza eram uma clientela em potencial. Na época tinha a Metalúrgica Barbará; a Reiche, fabricante de parafusos: a Junker, de fogões, a Sherwin Williams, de tintas, e poucas outras.
A colônia alemã, atraída pela indústria em crescimento, era bastante expressiva.
A linha de bonde Centro-Indianópolis fazia seu balão de retorno praticamente na porta, o que era garantia de movimento. E o que era mais importante: não havia na região nenhuma loja de calçados.
Mas tudo isto não significava, de modo algum, que os negócios seriam fáceis.
No Brasil, as coisas funcionavam de forma um pouco estranha aos modos germânicos do senhor Eurico.
A pontualidade não era prática muito difundida no país, qualidade não era a principal preocupação dos fabricantes de calçados, e a pechincha era uma mania nacional.
Aos poucos, com o apoio da família, e a vivência do amigo e funcionário Jacob no ramo de calçados, o senhor Eurico foi descobrindo as manhas do negócio made in Brasil.
Seguindo os palpites de Jacob, o senhor Eurico aprendia a comprar a crédito de bons fornecedores, dona Leonie fazia clientes respondendo à pechincha com pequenos descontos, e os filhos divulgavam a imagem da loja distribuindo folhetos de propaganda.
No dia 24 de dezembro de 1938, absolutamente contagiado pelo jeitinho brasileiro, o casal esticou o expediente das seis e meia da tarde até altas horas da noite, para atender os retardatários do Natal.
Resultado: antes da Missa do Galo, a Casa Eurico cantava seu primeiro recorde de vendas: um conto de réis num único dia. A façanha se repetiu no carnaval, registrando a maior venda de tênis do ano.
E assim, sempre atento às oportunidades, o senhor Eurico começou a praticar o marketing numa época em que a palavra não existia nem mesmo no dicionário.
Arrematou um lote de calçados masculinos número 43 e 44, anunciou no jornal alemão e vendeu tudo em poucos dias.

Ele tinha acabado de descobrir um segmento novo e inexplorado no ramo de calçados: o dos sapatos de números grandes, que a Casa Eurico lidera até hoje.

A LOJA NO BAIRRO

No fim dos anos 40, São Paulo já era o maior centro industrial da América Latina. Para ter sucesso no comércio era preciso oferecer produtos diferenciados, vender status e fazer propaganda.
A Casa Eurico aumentou suas vitrines e ganhou uma bela marquise na entrada, sinal da arquitetura dos novos tempos.
Os anúncios veiculados no jornal alemão e no rádio se incumbiam de trazer a clientela selecionada.
O carrossel infantil instalado bem no meio da loja trazia crianças com suas mamães a tiracolo.
Mas, segundo o senhor Eurico, a alma do negócio continuava sendo dona Leonie.
Gert e Hans, os filhos do casal, já não trabalhavam na loja: Gert emigrou para os Estados Unidos, onde vive até hoje, e Hans se formou Engenheiro Civil e seguiu sua carreira em São Paulo.
Nesta época, o casal Eurico e Leonie dividiam a responsabilidade e o trabalho com alguns funcionários competentes e dedicados.


A LOJA NA METRÓPOLE

Com a construção do Shopping Center Ibirapuera, Moema perdeu sua dimensão regional para se tornar um bairro metropolitano. As casas foram cedendo seu lugar para lojas e edifícios. Aumentou a população local, e gente de toda a cidade passou a frequentar e comprar no bairro.
Era preciso modernizar a imagem da Casa Eurico.
Um belo banho de boutique, e a loja abriu suas portas para uma nova clientela, vinda de todo canto da cidade.
Aos sábados, a loja ficava tão cheia que as pessoas se aglomeravam à porta. Um sucesso que infelizmente o senhor Eurico teve pouco tempo para saborear. Com sua morte em 1976, o senhor Guimarães, gerente da loja desde 1964, passou a ser o braço direito de dona Leonie, ajudando-a em todas as transações com fornecedores.
O filho Hans passou a assessorá-la na coordenação e solução de problemas administrativos, e sua nora, Liliana, auxiliou-a nos serviços de escritório por alguns anos.
E na virada da década, a terceira geração começou também a figurar nos negócios. Nidia, recém formada em administração, ficou com um importante objetivo a cumprir: Fazer da Casa Eurico a loja dos Pés Grandes.
O Senhor Guimarães pôs mãos à obra para executar a idéia, conseguindo dos fornecedores uma produção exclusiva e constante de números grandes.
Ao mesmo tempo, Vera, arquiteta e irmã de Nidia, praticamente pôs abaixo a loja para adequar seu espaço ao que certamente viria pela frente. A Casa Eurico ganhou maior área de vitrine e maior área de estocagem, até então espalhadas por várias sobre-lojas da redondeza.
E Claudia, a terceira neta, tratou de divulgar ao público todas essas boas novidades assumindo a área de comunicação e publicidade da loja.
Atraída pela especialidade da Casa dos Pés Grandes, veio gente de toda a cidade e até do país, principalmente os representantes da nova geração de esportistas brasileiros, com seus metro e noventa ou mais de altura.

NOVOS TEMPOS

Em 1990, já com 90 anos, Dona Leonie achou que era hora de se aposentar. Seu filho Hans assumiu, então a direção da loja ao lado das filhas e do Senhor Guimarães.
No final de 1999 mais uma reforma fez com que a Casa Eurico se tornasse muito mais ampla, bonita e moderna.
E em dezembro de 2003 foi aberta a filial Jardins, na rua mais charmosa de São Paulo, a Oscar Freire.
Mas nada temam os antigos clientes da Casa Eurico acostumados aos mimos e paparicos dos donos e dos vendedores.
A Betty, aquela mesma de 48 anos atrás, continua firme como vendedora, falando alemão com o pessoal da colônia. O Wanderley, funcionário desde 1981, assumiu a função de sub-gerente, e vez por outra ainda pratica aquele velho hábito de "quebrar o galho" do cliente. E continua, entre os vendedores mais novos, aquela mania tão fora de moda de agradar os clientes, ajudando-os a calçar os sapatos, e se for preciso, pondo a loja abaixo até encontrar o par desejado.



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